sábado, 9 de janeiro de 2010

Criticando críticos

Janeirão bombando calor. Com a galera viajando prefiro ficar em casa no ar condicionado, assistindo filmes. Depois de uma semana indo e vindo da locadora com filmes meia boca (porque quase todos os bons eu já assisti), não posso deixar de ponderar minhas horas perdidas com um monte de MERDA!
O casamento de Rachel. Eis aqui o motivo de minha revolta.



Não compreendo onde guardo tanta ignorância quando não consigo concordar com os nobres críticos de cinema, os quais dizem que esse é “O melhor filme do ano!”. Eu não gosto de ler sinopse, justamente para não criar pré conceitos. Normalmente escolho o filme pela capa de maior bom gosto, e até costumo confiar nas frases do The Times, em negrito nos layouts. Mas parece que ultimamente é melhor confiar nas capas que não tem diabos de frase nenhuma! Vou ter que começar a ler as sinopses e resenhar elas durante a escolha do filme para não precisar sofrer tanto depois!
Ok, ok. Menos, menos.
O filme é basicamente isso: uma viciadinha egocêntrica que matou o irmão menor num acidente, sai da clínica de reabilitação para comparecer ao casamento da irmã egocêntricazinha mais velha. Elas brigam entre si, com o pai, a mãe e as cadeiras e os pratos e com o carro também. E SÓ!
Pronto, não acontece mais naaada! Eles ficam metade do filme brindando!
E ainda mais.Nada como uma cena bizarra pra completar um roteiro ruim: o pai da noiva egocêntricazinha aposta com o futuro marido da filha quem consegue colocar mais louça na lavadora em menos tempo! Tudo isso enquanto um idiota toca violino na cozinha e um monte de abobados ficam batendo palmas e gritando, numa espécie de incentivo! QUE FUCKING PORRA IS ESSA? E essa cena durou uns 15 minutos, no mínimo. O que, no meu nível de estresse, se transformaram em 47,5 minutos, exatamente.
Eu me revirava no sofá como Michael Jackson se revira no caixão dançando moonwalk, enquando minha irmã não se conformava e minha prima se rachava de rir na frente do PC.
Por isso continuo dizendo: “essas gentes tá ficando tudo louca!”
Esses diretores andam fumando um enquanto os nobres críticos se acabam no LSD.
Por favor minha gente. Faço um apelo a todos que curtem um bom filme: um pouco de noção.
Certa vez um colega que respeito, e cujo tal eu costumava entrar em conflitos de opinião semanalmente (haha, mas na paz), discutíamos (pra variar) sobre o filme publicitário do Spacefox.
É, aquele do meio cachorro meio peixe. O tal filme ganhou vários prêmios publicitários, e eu, mera estudante de publicidade resolvi me manifestar em meu Twitter dizendo:
“Cachorro-peixe do Space Fox premiado no Festival de Londres? Se a gente faz isso é desencannes [2] http://bit.ly/tVS2i” (o vídeo está aí)
Pra que. Fui chamada de cadela vaca pra baixo! Me falaram que eu só podia estar louca, que o cachorro peixe era do caralho, que era pra mim assistir de novo até eu gostar... E esse meu colega ,cujo eu muito debatia, me disse no calor da discussão:

- Não entendo. Se os melhores CARAS DA PROPAGANDA acham esse filme do caralho, como TU pode não gostar?

Ui, essa feriu. Traduzindo, ele me mandou procurar outra profissão, já que eu não consigo gostar do cachorro peixe. Então, eu respondi:

- Ah, então vou me jogar no poço, já que não consigo concordar com os grandes publicitários. Muá huá huá.

Continuei dizendo que não gostava, mas claro, pra não morrer, eu tive que admitir que o filme era uma superprodução. E é mesmo. É uma produção do caralho. Até tenho inveja da trilha sonora escolhida. Eu até já tinha reservado ela pra um filme que eu fosse criar um dia... E também tive que admitir que o cachorro peixe nem era tão nojento assim. Ele até era fofinho. Mas acima de tudo, não mudei minha opinião. Conforme minha carga cultural que carrego com muito esforço, não considero esse filme muuuuuito bom, como todo mundo que baba ovo dos CARAS DA PROPAGANDA.
O casamento de Rachel é mais um exemplo disso. Não é porque os nobres críticos de cinema dizem que o filme é o melhor do ano, que de fato, ele é. Não é porque o caras da propaganda dizem que o cachorro peixe é um conceito do caralho, uma idéia divina, que de fato, ela é. Pelo menos pra mim.
É bom você também conseguir ser um crítico, e não só ir na onda dos outros que julgam saber de tudo.
Mas devo concordar com meu pai. Os americanos sabem tudo de fazer filme, mas na hora de criticar, fiquem quietos.