terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Estereótipo praiano.

Carnaval acabou, as férias também. Cá estou eu novamente, escrevendo com o intuito de entrar definitivamente no ano, e tirar esse blog das férias. Por isso, nada como começar escrevendo sobre alguns acontecimentos das férias. Isso mesmo, bem ao estilo da lição de casa da segunda série: Minhas férias!

Eu viajei praticamente as férias inteiras. Fim de ano com a família, formatura do irmão, inúmeras festas e reencontros com os amigos do sul, casamento, praia com a família, um pulo em Curitiba, carnaval na praia novamente...

E nas minhas duas idas pra praia, eu, meus irmãos e alguns amigos costumávamos freqüentar outras prainhas, com menos gente, ou melhor, com mais gente jovem. Então, fui mais de uma vez pra uma praia que frequento desde alguns anos atrás. A praia já foi roots, quase ninguém conhecia. Aí colocaram um bar lá. Mas não um botequinho de areia. Um bar estilo balaaada. Aí já viu né...

A praia que já foi roots estava abarrotada e gente. O bar na beira da praia espalha guarda-sóis brancos, juntamente com cadeiras para deitar de madeira com almofadas brancas, sem esquecer das mesinhas. Sim, até aí, até parece um bar de praia normal. O que muda é o Dj, que toca músicas eletrônicas o dia inteiro, sem interrupção. Não tenho nada contra músicas eletrônicas. Já gostei bem mais, agora só gosto. Mas não é a música que mais me intriga. Deus que me perdoe, mas os estereótipos estão aí para serem observados.

O que mais me intriga, são as pessoas. Não somente pelo estereótipo de pessoas que escutam música eletrônica e vão à raves e afins. Mas pela atitude das pessoas. Dentro do bar, e também na areia, homens e mulheres com corpos definidos desfilam pela praia. Claro, sempre tem uma gordinha de fio dental e um gordinho de sunga branca no meio, mas a maioria é sarada e bem bonita. Enfim, as pessoas literalmente desfilam na areia. Na maioria dos copos se vê Absolut com Red Bull, Grey Goose com Sac Sac Grape Juice (é, aquele suco de uva coreano com as uvas dentro) ou champagnes. As pessoas praticamente não conversam, simplesmente deitam em suas cadeiras bicando seus copos enquanto observam a vida alheia (como eu fiz). Muita gente encontrava-se muito alterada, pensando que estavam na ilha do Lost com a Xuxa e o Muçum dos Trapalhões. E não era só Grey Goose não.

Eu não sou uma pessoa que possui um estilo e que só freqüenta coisas que correspondem ao mesmo. Eu costumo ir a tudo, sou eclética e vários estilos me agradam. Mas confesso que me senti perdida, desconcertada. Como sempre publicitária, observei o público e percebi várias coisas esquisitas. Quem chega com um isopor e senta na canga já é mal encarado. E pior, as pessoas são julgadas pela bebida que tem na mesa. Não importa se está com um balde de cerveja, ou uma cerveja sequer. Porque a moda agora é tomar Absolut e Grey Goose. Maconha na praia é coisa do passado. A moda agora é fritar na luz do dia. Também é costume simplesmente abanar para os conhecidos. Não existe mais a manha da boa vizinhança.

Não julgo ninguém pelas atitudes. Cada um faz o que quer. Só acho estranho como as coisas mudam, e as pessoas junto com elas. Acho estranho quando amigos dos seus amigos chegam à sua mesa só porque você está sentado num bom lugar, escora seu balde sem cumprimentar ninguém, e depois sai, levando o balde sem dizer tchau. Acho estranho que o que já foi “estereótipo de praia”, como a cervejinha gelada e o reggae, não exista mais em muitos lugares. Acho estranho me sentir estranha num lugar tão legal, que eu me divertiria bem mais, se não fosse tão estranho. Simplesmente me sinto vazia e burra, como se os bons e velhos costumes tivessem sumido. Não são mais as pessoas que ditam as modas, mas as modas que ditam as pessoas enquanto elas nem percebem. Uma incrível necessidade do ser humano de parecer o que não é. Ou a necessidade freqüente de parecer um babaca.